Infecção urinária na gravidez

Dor ao fazer xixi, sensação de bexiga cheia o tempo todo, ardência, calafrios e, em alguns casos, febre são sintomas clássicos da infecção urinária ou cistite, que ocorre quando bactérias ou fungos se alojam na bexiga.

 

As mulheres conhecem bem esse quadro, isso porque 50% das mulheres já tiveram ou terão pelo menos um episódio da doença ao longo da vida, inclusive as gestantes.

 

As gestantes são o grupo de mulheres mais predisposto a sofrer desse mal em função de uma série de alterações que ocorrem no corpo nesse período e se em qualquer época da vida ela necessita de tratamento adequado, na gravidez isso é ainda mais importante, já que o problema pode provocar um parto prematuro e até aborto, causados pela ruptura da bolsa amniótica.

 

A infecção produz prostaglandinas, substâncias químicas que, na gestação, fazem com que o útero se contraia, deixando-o irritado. As contrações são um risco para a gravidez. A cistite ainda é causa de restrição de crescimento fetal (já que impede a passagem adequada de nutrientes) e do risco maior de o bebê sofrer uma infecção.

 

Não há dados oficiais sobre quantos partos prematuros são ocasionados pela infecção urinária, mas, por precaução, é aconselhável fazer o exame de urina, que analisa células e bactérias presentes no xixi, e a urocultura, que avalia as bactérias na urina e sua resistência a determinados tipos de antibióticos, a cada trimestre.

Para os casos em que as mulheres já apresentam cistite de repetição, recomendam-se exames mensais. A prevenção é importante porque existe uma versão da doença que é silenciosa.

 

Existem várias causas para o aparecimento de uma infecção urinária: o corpo feminino, a predisposição genética e os hábitos alimentares inadequados são algumas delas. E, na gravidez, há uma remodelagem dos órgãos internos por conta do aumento do útero que faz com que a bexiga fique sem espaço, daí a vontade de ir ao banheiro a toda hora, mas é comum sobrar um pouco de urina armazenada, o que pode causar a inflamação.

O tratamento é feito com antibiótico e existe uma classe de medicamentos que é segura na gestação. Depois da gestação, os cuidados das mulheres que sofreram com a infecção devem continuar isso porque as chances de ter uma endometrite puerperal (infecção do endométrio) aumentam, assim como voltar a ter as cistites em outras gestações.

 

É possível evitar a doença se a mulher mantiver uma alimentação adequada, urinar após as relações sexuais e cuidar da microbiota vaginal, limpando de frente para trás toda vez que fizer xixi e deixando a região sempre seca. Mas o mais importante é beber muita água e nunca, em hipótese alguma, segurar o xixi.

 

 

Fonte: Revista Crescer

29/11/2019